Cris Lores + Alberte Pagán + Urro

Maio 26th, 2013 | by cineclubedecompostela |

“Um dia Cris prestou-me umha cámara de Super 8mm para filmar umha bandeira de Israel que logo pretendíamos “queimar” no projector (para o início de Película urgente por Palestina). Por algum erro técnico, o rolo saiu da cámara tam virge como entrara, agás uns poucos planos que Belén Veleiro rodara com anterioridade. Visto o resultado, e como acto lúdico e didáctico para o filho de Cris, ou quiçá por aburrimento, o neno e mais eu pugémo-nos a rascar e perforar a emulsom negra da película para ver que dava isso na pantalha. Acabada a breve projecçom, esquecim-me da película, que cria no lixo, até que tempo despois vejo-a renascer como a fermosa 8, que tira vida do plástico morto e cores de onde só havia sombras. Em 8 Lores fai coas images rascadas o que pretendíamos fazer inicialmente coa bandeira de Israel: ralentizá-las, queimá-las, distorsioná-las. Mas 8 é umha obra efémera por natureza, porque cada projecçom implica umha perda de “massa muscular”. Tampouco nom tem umha estrutura e umha duraçom fixa, porque para o cineasta-projeccionista cada actuaçom é única: a película original é umha partitura minguante que Lores interpreta de cada vez. Existe o registro videográfico dalgumha destas “interpretaçons” (umha delas sobre as images de Eclipse metanoico no festival (S8)), mas estes sucedáneos nunca poderám substituir a experiência do “directo”.

A paulatina e inevitável desapariçom do material de 8 topou um acougo na acertadamente titulada Alzheimer (2013, 8’). A música de Urro dá-lhe um toque de inquietude à beleza dumhas images que surgem do celuloide que se destrue: o material desaparece para produzir essas cores intensas que o acabarám imortalizando. Como as fotografias de (nostalgia) (Frampton), que ardem e se perdem para sempre ante os nossos olhos ao tempo que ficam registradas e imortalizadas na película.”

(fragmento de Cris Lores. O home da cámara, texto de Alberte Pagán que poderedes ler completo na sesión do vindeiro mércores)

Mércores 29 de maio, ás 22.00h no Pichel
Virando
Ventana
See the Sea
LimpaParaBrisas
Ponte Quieta
Cielulosas
Corpi in movemento Due
Nueve
8
(Cris Lores, Galiza, 2007-2013, 75′, VO)
Presentada por Alberte Pagán. Coa presenza do director e a música ao vivo de Urro.

 

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