“Eu acho que há cineastas que não têm a coragem de não fazer filmes”

Decembro 6th, 2012 | by cineclubedecompostela |

Achegamos a entrevista que lle fixeron Martim Paradelo e Xiana Arias a Pedro Costa o pasado 16 de novembro, con ocasión da visita do cineasta á cidade para recibir o Premio Cineuropa. A versión impresa da mesma sairá publicada no vindeiro número do xornal CNT.

Pedro Costa começa a sua carreira desde uma cinefília apaixoada, desde o virtuosismo estético de O sangue, mas já desde o seu segundo filme, Casa de lava, decide colocar a sua câmara ao lado das pessoas marginais, neste caso a imigração ilegal, no que deixa evidência de como não é possível ficar impássível ante determinadas situações sem anular-se como ser humano. Ossos supõe a sua primeira aproximação à marginalidade da droga. Enquanto filma no degradado bairro das Fontainhas, com uma equipa de dúzias de pessoas, a protagonista do filme, Vanda, heroinômana real, adverte-lhe de que esta a fazer um filme falso, e insta-o a filmá-la no seu quarto, a sua vida, ele só. Assim nascem No quarto da Vanda e a posterior Juventude em marcha, dois cantos monumentais à dignidade humana. Tem-se valorizado a maneira em que Pedro Costa dignificou a pessoas como a Vanda e o Ventura nestes filmes. Nada mais falso. A Vanda e o Ventura dignificam-se a sim próprios a través do dispositivo de Costa. As personagens destes filmes são habitantes da fronteira, vítimas de um sistema que padecem dia a dia, que os enferma e os destrói, mas a câmara do cineasta, o seu enquadre monumental, o seu ritmo que é o mesmo que o da vida, impõe o máximo respeito, dá-lhes o espaço para se reivindicar humanos, sem sombra de hagiografia, sem resto de discursos panfletários insultantes. Só vida.

■ Ler entrevista completa en pdf

 

Sorry, comments for this entry are closed at this time.