Isaac Lourido –responsábel tamén do limiar de Non conciliados. Argumentos para a resistencia cultural– presentou con Daniel Salgado e Miguel Prado a publicación na festa de noveno aniversario do Cineclube de Compostela. A continuación reproducimos as notas para a súa intervención, que amabelmente nos reenviou.
[Non conciliados. Argumentos para a resistencia cultural pódese conseguir nas proxeccións do Cineclube de Compostela, nos postos de venda de Estaleiro Editora, na libraría Couceiro de Santiago de Compostela, na libraría La Central de Barcelona ou enviando un correo cineclubedecompostela {arroba} gmaill {punto} com]
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Teoria, cultura, resistencia: Elogio da extravagância [pdf]
Isaac Lourido
Das conversas mantidas esta semana com Daniel Salgado sobre Non conciliados. Argumentos para a resistencia cultural e o jeito de enfrentar este acto de apresentaçom, a ideia que me resultou mais sugestiva das que el colocou girava em torno ao carácter lunático de editar hoje um volume em papel sobre resistência cultural. Concordo com poucas reservas. Mas acho oportuno, à luz de questons que eu próprio me formulei projectando a minha achega para o livro e como resultado da sua leitura, acrescentar o número de ideias, nom sei se lunáticas mas em todo caso raras, infreqüentes, atípicas, que aparecem convocadas nesta iniciativa:
(1) Este mesmo acto, a ideia de começar com a apresentaçom dum livro umha jornada festiva em que música e diversom tenhem atingido um protagonismo principal mais do que merecido, só pode ser qualificada, efectivamente, como estrafalária ou excéntrica.
(2) Excéntrico tamém, quer dizer, periférico, marginal hoje em dia na Galiza, é dar ao prelo umha publicaçom colectiva em que a língua nom comparece no título nem se assume como núcleo básico de reivindicaçom.
(3) Ao mesmo tempo é rara, tal e como estám os tempos, a impossibilidade de estabelecer conexons unívocas entre os discursos veiculados em Non conciliados e programas ou posiçons políticas concretas e/ou institucionalizadas. Nom hai, desde logo, vínculos com a oficialidade nem tampouco, abofé, qualquer vontade adoutrinadora ou exclusivamente auto-compracente.
(4) Atípica é, com certeza, a media de idade das persoas participantes no projecto, próxima polos meus cálculos aos trinta anos e, nalgum sentido, responsável de reconduzir o novo, o emergente, as vozes ocultas, cara a práticas emancipadoras.
(5) Infreqüente é, para além, o preço da ediçom física do volume e a possibilidade de aceder de balde aos seus conteúdos na rede (segundo me informam). Discordantes co discurso pedichón majoritário na indústria cultural deste país, o Cineclube dá continuidade con este projecto à abertura de espaços intelectuais progressivamente mais acessíveis e, em última instáncia, fundadores dalgumha caste de democracia cultural. Nom privativa. Anti-SGAE, quero dizer.
(6) Pouco estendidas, ainda que reconhecíveis para moitos e moitas de nós, som as marcas que este livro amosa sobre umha ideia do desenho gráfico e editorial diametralmente oposta ao que constitui norma. Marcas cujas sobriedade e elegáncia conseguem a incorporaçom ao mesmo discurso crítico ao que servem como cauce.
(7) Impensável era, finalmente, a distribuçom de qualquer livro de forma conjunta com um CD de música em que nom participe Uxía Senlle [no canto de Uxía Senlle pode colocar nome do seu gosto: participe deste texto].
Acredito na brevidade, polo que irei ponhendo o ramo. Um ramo para o qual me inspiro, e sem que sirva de precedente, em George Bush filho (e assassino e filho de assassino). Digo isto porque articularei umha manobra preventiva. Quer dizer, preditora dalgumhas das críticas que a este livro lhe poderiam ser colocadas.
A primeira delas teria a ver com a ideia de cultura. Penso, neste sentido, na possibilidade dumha crítica derivada da compreensom do cultural como ámbito alheio à política e à activaçom efectiva, ou só em segundo grao e subsidiriamente, de processos de transformaçom social. Como resposta, insisto que preventiva, recorrerei a um pequeno parágrafo escrito por António Méndez Rubio:
Enquanto a cultura abandona a ilusom de ser um paraiso ideal, portador de valores universais e eternos, quer dizer, imutáveis, começa a se fazer concreta, múltipla, acessível. Por outras palavras, devém elemento transformável e transformador da realidade. Enquanto tecido, campo aberto de relaçom e dispersom onde se cruzam discursos e práticas, a paisagem da cultura, tam instável quanto impossível, admite um olhar, umha aproximaçom aos seus mecanismos mais importantes através dumha perspectiva teórica capaz precisamente de articular, de forma crítica, a noçom de prática e a noçom de discurso. Convoca um olhar que nos está a olhar (Antonio Méndez Rubio, El conflicto entre lo popular y lo masivo, 1995, p. 1)
Outra actitude crítica previssível está relacionada com a ideia de teoria. Quer dizer, com o inercialismo presente em mais de um programa político tendente à destituiçom do pensamento e da reflexom teórica, da batalha das ideias, na sua comparaçom com os efectos imediatos produzidos pola acçom. Como ferramenta de defesa valerei-me doutra citaçom, consignada por Iria Sobrino na sua achega para este livro:
A teoría é unha práctica, que loita contra o poder, loita para facelo aparecer onde é máis invisíbel e insidioso. Unha teoría é un sistema local da loita: designa os núcleos de poder, denúnciaos, fala publicamente deles. Esta forma de loita constitúe a primeira inversión do poder (Michel Foucault, “Os intelectuais e o poder”, 1972)
Quem conhecer as recomendaçons retóricas acaídas a este tipo de acto, detectaria a ausência, no início, dos inescusáveis agradecimentos. Preferim deixá-los para a despedida porque pensei que, se houver aplausos ao final deste acto, em nengum caso deveriam estar destinados à minha intervençom. E sim, com certeza, a todas as persoas que colaborárom, que colaborastes, na concreçom deste projecto e moi especialmente a Daniel Salgado, Xiana Arias e X. Carlos Hidalgo como coordenadores e principais impulsores desta anomalia rara, desta excentricidade infreqüente.